A Grécia de joelhos e o mundo de pantanas

A Estátua de Sal

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 27/06/2015)

BOMBA

1 Alexis Tsipras vai engolir o cálice até à última gota. Forçado pelos credores a inventar mais 8000 milhões de euros entre o deve e o haver, ele escolheu o mesmo caminho que Vítor Gaspar escolheu há dois anos: matar a economia com impostos para salvar o Estado. Assim julga poder poupar os mais fracos entre os fracos e defender as suas últimas bandeiras. É caminho garantido para o desastre a prazo e, ironicamente, são os credores que agora põem objecções. Mas como a intenção primeira é humilhar o Governo grego, as objecções não obstam à imposição da subida do IVA nas ilhas (sabendo que a Grécia é um país de ilhas a que o Estado deve solidariedade), e para o escalão máximo na restauração e hotelaria (sabendo que a Grécia já quase só vive do turismo). Por uma ou outra via, o majestático…

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A Europa que nos envergonha

A Estátua de Sal

(José Pacheco Pereira, in Público, 27/06/2015)

Pacheco Pereira                Pacheco Pereira

Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata. Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.

Bater nos gregos tornou-se uma espécie de desporto nacional. Tem várias versões, uma é bater no Syriza, outra é bater nos gregos propriamente ditos e na Grécia como país. As duas coisas estão relacionadas, bate-se na Grécia porque o Syriza resultou num incómodo e, mesmo que o Syriza morda o pó das suas propostas, – que é o objectivo disto tudo, – o mal-estar que existe na Europa é uma pedra no orgulhoso caminho imperial do Partido Popular Europeu, partido de Merkel, Passos e Rajoy e nos socialistas colaboracionistas que são quase todos que os acolitam. É isto a que hoje se chama “Europa”.

Se não fosse sinal de…

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O discurso que Cavaco devia ter feito

BLASFÉMIAS

Sei que não devia ser eu a estar aqui. Contudo e já que tive a desfaçatez de me candidatar e os portugueses a sem razão de me escolherem vou fazer o meu último discurso como PR nesta data. Dentro de um ano espera-se que o país tenha voltado a ser o que deve ser.  Não interessam os números, não interessam os resultados. Interessam os símbolos. E Portugal tem simbolicamente  de ser o que é: um país em que a esquerda governa. Isso é natural. Isso é a República.

Pode Portugal ser algo fora disso? Pode. Mas para quê? Portugal não é um país para ser governado. Portugal é um pretexto para que bilhem aqueles a quem o poder naturalmente pertence. Para que aqueles em que encarnou a ética (republicana que só essa existe) ofusquem. Para que ele sejam. Portugal tem de voltar à sua gente. Essa gente a quem a…

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A JUSTIÇA ESTÁ AO NÍVEL DA “CASA DOS SEGREDOS”

A Estátua de Sal

A SÁBADO revela todos os pormenores e as intervenções mais marcantes de José Sócrates e do procurador Rosário Teixeira numa sessão gravada sob enorme tensão A SÁBADO revela todos os pormenores e as intervenções mais marcantes de José Sócrates e do procurador Rosário Teixeira numa sessão gravada sob enorme tensão

Desta vez passaram das marcas. A revista Sábado transcreve partes do último interrogatório a José Sócrates, supostamente confrontado com novos factos que a investigação terá obtido, porque terá tido acesso às gravações do próprio interrogatório.

Como as gravações só podem ter sido produzidas pelos representantes da Justiça, porque não é de crer que Sócrates possa ter acesso a gravador escondido dentro das botas que lhe quiseram tirar, não há dúvida que o segredo de justiça é um segredo de polichinelo ao nível da Casa dos Segredos para voyeurs sôfregos e ávidos de escândalos e vícios.

É isto o “normal funcionamento das instituições democráticas” que está previsto na Constituição e que o Presidente da República jura preservar e defender quando é eleito? Não, o normal funcionamento…

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Porque Sócrates não verga

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 09/06/2015)

         Daniel Oliveira                          Daniel Oliveira

Perigo de fuga não há. Disso já falou quem tinha de falar. Continuação da atividade criminosa, não vejo como, quando aquilo de que se fala é de corrupção e José Sócrates não ocupa qualquer cargo que lhe permita ser corrompido. Por fim, não vejo em que é que uma pulseira eletrónica pode evitar que perturbe o processo. Assim, a tentativa de pôr Sócrates em prisão domiciliária com pulseira eletrónica é difícil de defender.

Quando, meio ano depois, continua a não haver qualquer acusação, é difícil manter a prisão preventiva, em casa ou na prisão. Porque Sócrates é inocente? A prisão preventiva, fora ou dentro de casa, não tem nada a ver com a culpabilidade ou inocência. Tem a ver com os três motivos explicitados na lei que muito dificilmente podem continuar a ser sustentados neste caso.

QUEM, AO FIM DE MEIO…

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RESSUSCITAR AO SÉTIMO MÊS

A Estátua de Sal

José Sócrates       José Sócrates

António Costa, quando questionado sobre o que pensava sobre a hipótese de Sócrates ir para casa com pulseira electrónica, respondeu que não se pronunciava acerca de questões judiciais, já que, segundo ele, deve dar-se “à Justiça o que é da Justiça, à política o que é da política”.

Eu compreendo que o PS se queira demarcar de eventuais ilícitos que José Sócrates tenha cometido na qualidade de Primeiro-Ministro, tendo sido eleito para tal cargo na qualidade de secretário-geral do Partido Socialista.

Mas eu, que nunca fui, nem sou do PS, nem de qualquer outro partido do espectro político, não tenho nenhum incómodo em comentar o tema. Vamos, pois, por partes.

  1. Sócrates encontra-se em prisão preventiva desde Novembro de 2014, já lá vão, portanto sete meses, sem que se vislumbre qualquer acusação.
  2. O inquérito, ao que parece, iniciado já há três anos, continua a marinar.
  3. Os periódicos “amigos” da…

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Sob o cisma de Jesus

A Estátua de Sal

(António José Teixeira, in Expresso Diário, 04/06/2015)

António José Teixeira

Quais linhas de orientação geral para a elaboração de programas eleitorais! Quais cartas de garantias! Quais convenções de confiança! Quais marchas nacionais! Portugal está agora sob o cisma de Jesus. Jesus, o treinador, bem entendido.

Já andávamos vergados às grandes celebrações sulistas de bicampeonatos e taças de Portugal. Já muitos portugueses, aqui e além-mar, tinham levantado toda a espécie de troféus. Da Inglaterra à Rússia, do México à Grécia, a lei do ludopédio luso ganhou uma força nunca vista. Ronaldo, o melhor jogador do mundo, falhou os títulos, mas não deixou fugir o Pichichi… O futebol é o reduto de resistência a todas as crises, o grande palco da vida, do jogo da vida, o maior espetáculo do mundo. Aí se expiam desaires e frustrações, aí se empolgam vontades. Arte, ilusão, magia, choro, raiva, traição, combate, circo, tudo se ganha e se perde…

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