A crise da social-democracia

A Estátua de Sal

(Manuel Loff, in Público, 27/02/2016)

loff                Manuel Loff

A tão discutida crise da social-democracia (SD) – não, não estou a falar da que Passos Coelho redescobriu há dias… – observa-se hoje, a partir de Portugal, com uma experiência de governo tão original quanto a atual, de forma substancialmente diferente da visão desoladora com que ela emerge à escala internacional.

Depois da sua viragem ideológica dos anos 80 no sentido de um social-liberalismo (liberal na economia e nos costumes, social na preservação de políticas de redistribuição desde que não ponham em causa a recomposição do capitalismo internacional em nome da competitividade), a SD perdeu uma grande parte da sua capacidade de representação política, sobretudo entre os que dependem de um salário e os setores sociais que, avessos a mudanças estruturais do capitalismo, não deixam de acreditar na função reguladora das políticas sociais.

Há duas teses sobre a crise da SD. Há os…

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A series of fortunate events

A Estátua de Sal

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 26/02/2016)

quadros João Quadros

O OE 2016 foi, finalmente, aprovado. Pela primeira vez na democracia portuguesa, um OE foi aprovado com os votos favoráveis do PCP, BE e PEV. A geringonça ganhou o Paris-Dakar.


O PAN absteve-se (mas propõe alterações em reunião com PS na quarta-feira) – foi uma abstenção canina. Fez-se história no Parlamento, esperemos que tenha um final feliz.

Após a aprovação do OE, os juros de Portugal caíram em todas as maturidades. E isto tudo sem usar o PIN de Portugal. Se o PSD e o CDS têm votado a favor, estávamos com juros negativos, abaixo da Alemanha. Espero, ardentemente, uma metáfora de Cristas sobre juros que descem após aprovação de OE chumbado pelo seu partido. Qualquer coisa como “a geringonça fez chover de baixo para cima”.

Num momento histórico para a esquerda, não podiam faltar as citações de cantores revolucionários como…

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A estupidez não é de esquerda nem de direita

Farrusco

Socorro-me do Sérgio Godinho para constatar que, de facto, há dias de manhã em que um homem à tarde não pode sair à noite nem voltar de madrugada. Ontem, para o Bloco de Esquerda, foi um desses dias. O cartaz – parece que agora não passará de um post na internet – que pretende celebrar o fim da descriminação com a promulgação da lei da adoção é, não há outro modo de o classificar, uma estupidez a vários níveis. Desde logo porque reacende desnecessariamente uma discussão que estava arrumada, e bem arrumada, como ganho de civilização. O fim das barreiras à adoção com base na sexualidade dos adotantes é uma vitória e um marco na nossa evolução que deve ser festejado. O problema é quando se transforma a celebração legítima em ato gratuito de provocação e de pirraça mesquinha. E foi isso que fez o Bloco, entregou de bandeja aos…

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O Pedrexit

A Estátua de Sal

Fonte: O Pedrexit

(In Blog O Jumento)

Depois do Grexit e do Brexit talvez não fosse má ideia discutir o nosso Pedroxit, a saída do traste político de Massamá que decidiu andar por aí armado em primeiro-ministro no exílio, com direito a bandeirinha, a um Zeca Mendonça a fazer de peão de brega e a entrevistas feitas por jornalistas que o olham com a condescendência dos guardas do Forte de Santo António olhavam para um Salazar que ate morrer estava convencido de que continuava a ser o presidente do Conselho. O ridículo da situação é tão grande que um dia destes o traste de Massamá ainda vai passar a visitar o D. Duarte todas as quintas-feiras par despachar os assuntos do reino.
O traste de Massamá está louco ao ponto de achar que de um dia para o outro deixa de andar sentado em cima de livros sobre Salazar para pousar…

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Algo de novo está a acontecer

A Estátua de Sal

(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 26/02/2013)

bb1 Baptista Bastos

A luta de classes parece entusiasmar uma nova geração que tem pegado na flâmula de seus pais e continuado uma batalha sem fim.


O Reino Unido permanece, até ver, na União Europeia, com um “estatuto especial”. Não se sabe muito bem em que consiste esse “estatuto especial”, mas entende-se que o Reino Unido levou a melhor aos “donos” da Europa, após demoradas, delicadas e complexas negociações. Cameron disse que “defendera os interesses dos ingleses” e que pátria é pátria. Impôs-se o poder e um pouco de chantagem política de um grande país, ao contrário do que aconteceu com a Grécia e o Syriza, esmagados pelo espírito de vingança da Alemanha e pela subserviência besunta do que resta do orgulho europeu.

A União Europeia é uma falácia que se desmorona com celeridade porque as bases em que assenta nada têm que ver…

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Austeridade ou sacanice?

A Estátua de Sal

Fonte: Austeridade ou sacanice?

(In Blog O Jumento)

Austeridade é chamar todos os cidadãos a suportar os custos de um esforço nacional de controla despesa pública. Sacanice é um governo escolher um grupo profissional ou social com base em critérios ideológicos ou em ódios pessoais para que suporte os custos da austeridade. Os democratas optam pela equidade e a austeridade não significa necessariamente injustiça. Os canalhas optam pela sacanice, acusam aqueles que odeiam de todos os males do mundo e aplicam-lhe todas as medidas odiosas.
Quando se escolhem pensionistas e funcionários públicos para suportarem um corte brutal de rendimentos, quando se promete que a medida é para um ano pois se destina a compensar um falso “desvio colossal”, quando depois se diz que é para o período de ajustamento e mais tarde se garante que tudo voltará ao normal apenas oito anos depois não estamos perante uma medida de austeridade, estamos…

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Alberto Gonçalves, o sociólogo

Farrusco

Há um tipo, chamado Alberto Gonçalves, que se intitula sociólogo, que tem direito a uma página inteira do Diário de Notícias, todas as semanas.

Gostava de saber porquê.

O homem vomita desprezo por tudo que lhe cheire, ainda que vagamente, a esquerda; critica tudo e todos, como se vivesse no alto de uma torre de marfim, imune ao que se passa à sua volta; é um daqueles tipos que raramente se engana e nunca tem dúvidas.

Por mera curiosidade, li algumas das suas crónicas. Depois, fartei-me. Achei que os seus argumentos eram infantis; faziam-me lembrar as bocas que oiço no restaurante onde almoço todos os dias, bocas daqueles tipos que nunca fizeram nada de relevante, mas têm uma opinião importantíssima e definitiva sobre tudo.

Os meses foram passando e a crónica do Gonçalves continuava, semana após semana.

Rendendo-me à minha ignorância, googlei o nome da criatura. Seria algum autor extraordinário…

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