No 1.º aniversário da tragédia de Pedrógão Grande

A Estátua de Sal

(Carlos Esperança, 17/01/2018)

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A comunicação social procede à mórbida celebração do incêndio. Enquanto requeima as vítimas em imagens repetidas até à náusea e se resssufragam as almas em remissas televisionadas, com mais pessoas do que crentes, impede-se o luto dos que sofrem a dor da ausência dos que o fogo devorou, a sangrar por dentro.

Há nesta lúgubre ostentação da tragédia o aproveitamento que, desde o início, serviu objetivos políticos que apenas o delírio do presidente da Misericórdia e do PSD de Pedrógão atenuou com os suicídios que imaginou em transe partidário e oportunismo antidemocrático.

Foram mais respeitados os mortos que um carvalho paroquial esmagou no adro da igreja ao tombar sobre uma procissão, na Madeira, mas tiveram menos sorte os estropiados e os herdeiros dos falecidos porque os fundos da diocese eram para a salvação das almas e os do Estado para reparar os danos oriundos de matas particulares…

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O mundo rendido a Ronaldo

A Estátua de Sal

(In Diário de Notícias, 16/06/2018)

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No The New York Times, Rory Smith conta como Portugal negou “um momento catártico” à vizinha Espanha. Tudo graças a um livre direto de Ronaldo. Prova de que “à 45.ª é de vez”.


A única coisa que os adeptos espanhóis podiam fazer, depois de terminado, era aplaudir. Não fazia sentido abandonarem-se à desilusão, preocupados com o que tudo aquilo poderia significar. A Espanha teve a vitória arrebatada no último momento, viu negado um momento catártico pelo seu vizinho mais próximo mas, no entanto, não houve amargura nem tristeza: apenas admiração e espanto, às vezes não é a vitória, mas a participação.

Deve ter havido certamente um jogo melhor na fase de grupos do Campeonato do Mundo no passado do que o fascinante empate entre Espanha e Portugal na sexta-feira. Tem de ter havido um que tenha sido jogado com mais qualidade, mais rico…

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