O dia seguinte às eleições 

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 29/09/2017)  

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As sondagens valem o que valem mas as últimas mantém uma tendência de descida acentuada do PSD nas duas mais importante cidades do país. Se se confirmarem, isso significará uma derrota para quem optou pela escolha dos candidatos e pela estratégia política que tem vindo a ser seguida, tanto mais que não se vislumbra possível ganhar a liderança das associações nacionais de freguesias ou de municípios. Bem se sabe que Passos Coelho já disse que não se demite de presidente dos social-democratas. Mas a pergunta é: o PSD vai continuar a assistir impávido e sereno a este declínio do partido ou ainda acredita que será possível ao atual líder conduzir de novo a nação laranja ao poder nas eleições de 2019?

Pedro Passos Coelho sofre de stress pós-traumático. E o trauma, como se sabe, aconteceu nas eleições de 4 de Outubro de 2015 onde, apesar de ter ganho as…

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Porto: e se a arrogância tramasse Rui Moreira 

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 28/09/2017)

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Não sei se me devo fiar nas sondagens que dão Rui Moreira taco a taco com Manuel Pizarro. Não faço apostas, mas parecem-me muito prováveis. Só que o Porto já nos habitou a surpresas em autárquicas. Surpreendeu-nos em 2001, quando, contra todas as expectativas, deu a vitória a Rui Rio, um candidato em guerra com Pinto da Costa e tendo como opositor Fernando Gomes. Voltou a surpreender-nos quando, três mandatos depois, esmagou o popular presidente de Gaia, Luís Filipe Menezes, e deu a vitória ao independente Rui Moreira. Poderá pregar-nos de novo uma partida.

A forma como Moreira se viu livre dos socialistas demonstra um sentimento de autossuficiência especialmente absurdo quando todos sabem o papel que Pizarro teve em muito do trabalho do seu executivo. Mas deixou o cabeça de lista do PS numa situação caricata: a de ser candidato de oposição ao projeto de que foi um dos elementos fundamentais e do qual não…

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Uma “geringonça” em Lisboa? 

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 22/09/2017)

Daniel Daniel Oliveira

As sondagens não dão mais do que tendências. Mas, no caso de Lisboa, três coisas parecem evidentes: Fernando Medina tem a eleição garantida, a maioria absoluta do PS está em risco e PCP e Bloco podem eleger um vereador cada, garantindo pelo menos um deles a maioria. É verdade que Medina pode governar sozinho. Mas numa cidade que vive, graças à explosão do turismo e à brutal pressão no mercado imobiliário, um momento determinante para o seu futuro, nenhum presidente da Câmara quer estar numa situação tão precária.

O PCP já se pôs de fora de qualquer entendimento. Não me espanta que o faça. O eurodeputado-vereador João Ferreira não parece ter grande simpatia pela estratégia de redução de espaço para o transporte individual e opôs-se à maior conquista da autarquia nos últimos anos: a municipalização da Carris. Como em questões de gestão…

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As greves “más” e as greves “boas”

A Estátua de Sal

(Por Estátua de Sal, 09/09/2017)

A cavaca Imagem in Blog 77 Colinas

O país anda confrontado com greves, as que se fazem ou já se fizeram, mais aquelas que estão anunciadas, e parece que há, para a comunicação social dominada pela direita, umas que são “boas” ou neutras e outras que são “más”. Passo a explicar.

No caso da Auto Europa a greve era muito “má”. Era o PCP, através da CGTP, que andaria a manipular os trabalhadores para ter ganhos de causa na discussão do orçamento (o espírito conspirador dos comentadores da direita chega a ser ridículo). E era uma greve “má” porque os alemães ainda fazem as malas e vão-se embora, as exportações caem, o PIB desmaia, o Estado fica sem dinheiro e lá vem a troika outra vez. Enfim, uma desgraça. Como se os trabalhadores fossem todos uma cambada de anormais que não conseguissem ver o que é melhor…

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O livro de São Cipriano

A Estátua de Sal

(Por Estátua de Sal, 05/09/2017)

Cartoon in Blog 77 Colinas

Para os menos versados nas artes do ocultismo e da feitiçaria, consta que o livro de São Cipriano é – e transcrevo directamente da Wikipédia -, : “um grimório que contém diversos rituais de ocultismo e exorcismo, supostamente magias e “simpatias” (conjurações populares), com múltiplas finalidades, inclusive para o quotidiano. Embora o livro se coloque como escrito por São Cipriano, o livro real apareceu séculos após sua morte e não poderia ter sido escrito por ele; na verdade, a primeira edição conhecida saiu em 1846, sendo, portanto, um livro pseudepigráfico.[1][2] “

Ora, parece que uma nova edição da obra acaba de sair agora à estampa editada pela conhecida estrela do oculto que fala directamente com o diabo, o célebre Mestre Coelhus, tendo sido apresentada em primeira mão ao público em Castelo de Vide, no âmbito de…

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Agradecimento ao Professor Cavaco Silva

A Estátua de Sal

(Francisco Louçã, in Público, 05/09/2017)

louca Francisco Louçã

intervenção de Cavaco Silva na universidade de verão dos jovens do PSD é um triplo erro para ele e uma tripla vantagem para a esquerda.

Em primeiro lugar, o contexto. O ex-presidente esteve quase sempre discreto durante o mandato do seu sucessor, ao longo de ano e meio. Apresentou um controverso livro de memórias, mas a reacção da opinião pública já o devia ter feito perceber que as suas quezílias com Sócrates não aquecem nem arrefecem o país. Assim, ao escolher fazer pela primeira vez um discurso político de fundo, poderia ter optado por um cenário nacional mais abrangente, que evocasse o seu tempo em Belém. Não, escolheu voltar ao partido para perorar perante uma centena de jovens laranja. Quis portanto fazer-se pequeno.

Em segundo lugar, o tema. Cavaco escolheu abdicar de um tema. Para ser justo, supõe-se que falou da importância…

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Cavaco Silva: vinte anos perdidos

A Estátua de Sal

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 12/03/2016)

AUTOR                                Miguel Sousa Tavares

Não sei quanto tempo seria preciso recuar na história de Portugal para encontrar alguém que tenha estado vinte anos no topo do poder, como Cavaco Silva esteve. Salazar esteve mais tempo e Alberto João Jardim também, mas os seus casos não se comparam, pois o primeiro exerceu o poder em ditadura e o segundo numa espécie de democracia das bananas. Cavaco não: esteve lá estes vinte anos por expressa vontade popular. Nascido para a democracia bem depois do 25 de Abril, notoriamente ausente dos combates pela liberdade e pela democracia, quer antes quer logo após o 25 de Abril, o agora Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (por liberalidade do seu sucessor), escutaria um dia Mário Sottomayor Cardia (o louco mais lúcido da política portuguesa) dizer-lhe em plena Assembleia da República: “O senhor faz-me lembrar Salazar e só não o é…

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