O desespero é mau conselheiro

A Estátua de Sal

(José Vítor Malheiros, in Público, 21/10/2015)

José Vítor Malheiros     José Vítor Malheiros

Primeiro, foi a alegria de ser a candidatura mais votada.

Depois, a preocupação ao constatar que afinal a maioria era de esquerda.

A seguir o terror por o PS, BE e PCP estarem a caminho de um entendimento parlamentar. Finalmente o desespero por o acordo de esquerda estar a chegar a bom porto.

Só que o desespero é mau conselheiro e vieram as acusações de “fraude”, “usurpação”, “golpe de estado” e os outros disparates como “o partido que tem mais votos deve governar”.

Uma das formas que este desespero está a tomar (e uma das razões por que a coligação PSD-CDS insiste na indigitação de Pedro Passos Coelho por Cavaco Silva) é a tentativa de pressionar os deputados do PS simpatizantes de uma solução “Bloco Central” a viabilizar o governo minoritário.

Aqui sim, seria uma verdadeira vitória na secretaria e…

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O nervosismo, a falta de tino, e as orações de Passos Coelho

A Estátua de Sal

(Estátua de Sal, 18/10/2015)

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O País continua em crise. O desemprego está aí. A dívida continua a trepar. E ainda não vimos tudo, pois parece que ainda há muitos esqueletos escondidos no armário, segundo insinuou António Costa na última entrevista à TVI.

Mas eu antevejo que a crise está em vias de acabar para os psiquiatras e para as farmácias. Os plumitivos da direita devem já ter esgotado as marcações nas agendas dos doutores da mente e os stocks de antidepressivos devem estar a atingir os mínimos das últimas décadas.

Não dormem. Entraram no discurso delirante dos esquizofrénicos e ouvem vozes e acordam a suar ao som de acordes fortes da Internacional. Que susto e que incómodo. A assombração é perderem o poder – tal causa sempre calafrios -, e sobretudo perderem-no para um governo do PS apoiado pelo PCP e pelo BE: “vade retro, Satanás”, sussurram entre dois goles…

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Quem semeia ventos recolhe tempestades

A Estátua de Sal

(José Pacheco Pereira, in Público, 17/10/2015)

Pacheco Pereira              Pacheco Pereira

Esta “coligação negativa” é a resposta à outra “coligação negativa”, a do PSD-CDS, que assim funcionou nos últimos quatro anos.


1. Quem semeou os ventos do modo como se respondeu na Europa à crise financeira e bancária, dos produtos tóxicos e dos bancos perto da falência recolheu a tempestade de uma “economia que mata”. Os bancos foram salvos, pelo menos para já, mas o crescimento estagnou ou andou para trás, as diferenciações sociais agravaram-se, o desemprego cresceu exponencialmente, os salários baixaram, os direitos laborais diminuíram, quando não foram extintos, as disfunções sociais agravaram-se. Todas. Veja-se a “crise dos refugiados”, espelho do estado da Europa.

2. Quem semeou os ventos da passagem da crise tóxica dos bancos para a “crise das dívidas soberanas”, uma invenção política alemã cujos efeitos perversos alargaram e aprofundaram a crise nos países do Sul, mas também em…

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A ver se a gente se entende

VAI E VEM

Passos no RatoPassos Coelho e Paulo Portas passaram a pré-campanha e a campanha eleitoral a arrasarem o cenário macroeconómico e o programa eleitoral do PS. Passos deu entrevistas antes mesmo da campanha jurando que não faria qualquer acordo pós-eleitoral com o PS. Portas e o seu discípulo predilecto, Nuno Melo, achincalharam quanto puderam António Costa e o PS. Programa de governo da coligação, nem vê-lo. O programa eleitoral era o PEC enviado meses antes para Bruxelas, em que o dado mais relevante é um corte de 600 milhões nas pensões de reforma. Isto é apenas um pequeno resumo do passado recente.

Recuando às legislativas de 2011, Passos candidatou-se com um programa que nunca cumpriu. Todos nos lembramos das promessas de que não cortaria os subsídios de férias e de Natal e depois foi o que se viu. Durante a campanha mentiu com quantos dentes tinha, dizendo que não conhecia o PEC  IV…

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