Comissão fofa

A Estátua de Sal

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 29 Julho 2016)

quadros João Quadros

A Comissão Europeia decidiu, na passada quarta-feira, não impor multas a Portugal pelo incumprimento das metas do défice público de 2015. Por esta é que ninguém esperava. No dia da morte de Salazar, as sanções caíram da cadeira.

Depois de ter visto Marques Mendes garantir na SIC, de fonte segura, que haveria sanções entre X e Y milhões, nunca pensei que a CE tivesse coragem de o desmentir. Segundo o ditado, e por exclusão de partes, isto faz de Marques Mendes um péssimo dançarino.

É um momento esquizofrénico para a antiga coligação que nos governou. Cristas tinha dito que se o Governo do Costa fosse competente não havia sanções. Agora, arranjar uma metáfora para isto vai ser tramado. É preso por ter cão e preso por não ter… Maria Luís afirmou que, com ela como ministra das Finanças, não haveria…

View original post mais 460 palavras

Apenas coincidências…

A Estátua de Sal

(Estátua de Sal, 28/07/2016)
Operação%20Marquês
Ontem, dia em que se sabia  que a Comissão Europeia iria decidir sobre as sanções a Portugal, alguém, supostamente muito inteligente, mas talvez não tanto que se lembrasse que também há mais gente inteligente que poderia topar a jogada, decidiu colocar o sr. Procurador Amadeu Guerra, atual Diretor do DCIAP. a dar uma entrevista à SIC, culminando os holofotes do dia sobre o caso Sócrates com uma reportagem (nitidamente preparada com significativa antecedência) seguida de debate na mesma estação televisiva.
Esta reportagem e debate foi uma espécie de julgamento em direto baseado nas presunções do costume e nas elucubrações do sr Gomes Ferreira que disse que se farta de conhecer economistas e advogados que ganharam milhões de forma, disse ele, pouco clara, mas que engoliu em seco quando Rogério Alves lhe perguntou se já os tinha denunciado como é obrigação de um cidadão íntegro. Eu acho que o…

View original post mais 537 palavras

Não foi agora

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso, 23/07/2016)

Autor                   Daniel Oliveira

Como é possível Donald Trump ter sido escolhido como candidato dos republicanos? Depende do que se fala quando se faz essa pergunta. Como foi possível tantos americanos votarem em alguém que tem um discurso tão ofensivo e perigoso? Os americanos não são melhores nem piores do que os britânicos, franceses, húngaros ou austríacos. Sentem a mesma ansiedade perante uma globalização, abalada por sucessivas crises financeiras, que está a deixar demasiadas pessoas de fora para que a democracia continue a funcionar. Repito o que escrevi sobre o ‘Brexit’: tratar estas pessoas como ignorantes é atacar os sintomas.

A maioria dos apoiantes de Trump que conheci em Cleveland são pessoas normais, medianamente informadas, com preocupações comuns à de muitos americanos e muito zangadas. Como foi possível alguém que não faz a mais pálida ideia do que fala chegar à nomeação? Trump é mais tonto…

View original post mais 398 palavras

Golpe de Estado em direto: de Istambul a Nice, passando por Berlim

A Estátua de Sal

Estátua de Sal, 16-07-2016, 01h 30m.

turquia

Alguma vez haveria de acontecer: a tecnologia está aí, os conflitos abundam, há armas a rodos, há homens que ainda vão pensando e transformando o descontentamento em atos, e no final, com recurso à criptografia e aos números primos sempre se vai conseguindo organizar algo que escape ao olho do Grande Irmão.  E digo isto, porque, fazer um golpe militar, bem sucedido ou não, nos dias de hoje, com a rede de vigilância que há sobre todas as comunicações, institucionais e privadas, sem que as agências de informação o tivessem antecipado, não é para amadores, ou mesmo para medianos peritos. A não ser que o golpe esteja a ser apoiado, na sombra pelo menos, por uma grande agência de informação e não quero dar palpites, podendo ser até um chamado golpe de “falsa bandeira”.

Deixo os palpites para os comentadores da SIC e afins, para o Dr. Rogeiro, para…

View original post mais 800 palavras

Minha alegre casinha

A Estátua de Sal

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 15/07/2016)

quadros João Quadros

Somos outros desde que vencemos o Euro. Estamos mais confiantes.

O presidente do Eurogrupo diz que “as sanções a Portugal vão depender da resposta que o Governo vai dar à ameaça que será hoje concretizada” e a pergunta que me ocorre é: será que dá para mandar a carta do mister Fernando Santos ao Ecofin? É melhor não, que aquilo é um grupo de protestantes que, estranhamente, quer Portugal no purgatório.

 Vencemos a França em casa, com um árbitro caseiro, e sem CR7. Nunca desistimos. Há pessoas que viram o Éder receber a bola e aproveitaram para ir à cozinha. Moral da história: temos de acreditar até não acreditar no que conseguimos. Não há Ecofin batoteiro que nos meta medo. Estamos insuflados. Se “França é França”, imaginem o que não somos nós. Os franceses ofereceram a estátua da liberdade aos EUA…

View original post mais 487 palavras

Marcelo e o efeito boomerang do populismo

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 13/07/2016)

Autor                       Daniel Oliveira

O mal-estar com a democracia é da natureza da própria democracia. Porque a democracia é o único sistema que garante as condições necessárias para a sua própria fiscalização e crítica. Claro que este mal-estar tende a acentuar-se em momentos de crise económica e social e quando as pessoas sentem que os eleitos decidem hoje muito pouco. A posição de muitos cidadãos em relação aos seus eleitos é, hoje e em geral, marcada pela má vontade e pela má-fé. Como não têm tempo ou instrumentos para avaliar a verdadeira corrupção, o verdadeiro desperdício de recursos e os verdadeiros problemas políticos do país, entretêm-se com pequenos factos. Sabendo isso, os tabloides, que não gostam de tratar de problemas sérios que incomodem poderes a sério, oferecem aos cidadãos pequenos “escândalos” que vendam jornais e mantenham as pessoas entretidas.

Um dos temas habituais são…

View original post mais 563 palavras

A nova vida do PSD

A Estátua de Sal

.(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 07/07/2016)

Autor                               Daniel Oliveira

Nunca participei nos processos de reinvenção da história do PSD, que o apresentam como sendo originariamente de esquerda e social-democrata. Esse exercício é pouco sério, porque ignora o contexto do nascimento da nossa democracia e o desvio de esquerda (ou mesmo marxista) que provocou na retórica política da altura. Acho que é mais justo dizer que o PPD/PSD foi um partido de centro-direita, conservador, com preocupações sociais e, pelo menos até ao final dos anos 90, comprometido com a construção do Estado Social.

Sendo um partido que, ao contrário dos restantes atores partidários portugueses, não tinha uma família política internacional ou europeia clara, isso deu-lhe uma natureza ideológica atípica que o equívoco do seu nome sublinha. Ao contrário do PCP, alinhado com o bloco de Leste, do PS, comprometido com a Internacional Socialista e com a social-democracia europeísta, do CDS, que…

View original post mais 370 palavras

A final de Paris chama-se Aurélio Pereira

IDEIA PERIGOSA

Há nomes que nunca vão para as manchetes nem passam à história como gloriosos. Aurélio Pereira pode ser um deles, caso lhe aconteça o que sucedeu a Manuel Gourlade. Manuel foi o primeiro treinador do Benfica, gastou todo o dinheiro que tinha com a fundação do clube e acabou na miséria, só, a morrer num lar infecto em Campolide. Tanta é a memória que nem a Wikipedia parece ter uma página sobre Manuel em português: em inglês e francês, no entanto, há…

Aurélio Pereira não lhe segue, felizmente, as pisadas, mas no dia em que o país acordou eufórico com a glória na Europa, seria interessante reconhecer a este homem que são os seus meninos, na maioria, que brilham em França.

Aurélio é o caça-talentos que levou para o futebol Futre, Litos, Peixe, Figo, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, João Moutinho, Nani ou Cristiano Ronaldo. Esteve à frente da formação de jogadores jovens…

View original post mais 189 palavras