Do roubo do BPN ao furto de chocolates Milka e de quatro queijos de cabra

A Estátua de Sal

(Carlos Rodrigues Lima, in Diário de Notícias, 28/05/2017)

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Esta semana, temos Oliveira Costa, chocolates Milka e quatro queijos de cabra. Não é uma receita para uma salada. É apenas jurisprudência.


Esta semana, o país exorcizou – ainda que parcialmente – um fantasma: o BPN. Esse mesmo. O banco que nos custou qualquer coisa como cinco mil milhões de euros. Em primeira instância, o tribunal condenou a maioria dos arguidos a penas de prisão. O fundador/ex-presidente e rosto da instituição, José Oliveira Costa, apanhou a pena mais pesada: 14 anos de cadeia. Neste processo, o crime de burla qualificada foi imputado a vários arguidos. Isto é, no fundo, tratou-se de desvio de dinheiro do próprio banco.

Mas, ao nível dos conceitos de direito, o pessoal do colarinho branco não furta nem, utilizando a linguagem popular, rouba um banco. Isto são crimes de gente pobre, indigente. Um finório burla um banco. Porque…

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Um Presidente irritantemente otimista

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 19/05/2017)

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Marcelo Rebelo de Sousa, que acusa o primeiro-ministro de ser irritantemente otimista, fez ontem afirmações na Croácia que o colocam também nesse grupo onde até agora só estava António Costa. Com efeito, anunciar que a economia pode crescer 3,2% este ano é uma previsão tão arriscada que até agora nenhuma entidade nacional ou internacional a ousou fazer. Onde foi o Presidente da República buscar tal dado?


Com efeito, a previsão mais otimista que existe até agora para o crescimento da economia portuguesa em 2017 é de 2,4%, feito pelo núcleo de estudos da Universidade Católica. Todas as outras previsões se situam em torno de 1,8% (Governo, Banco de Portugal, Comissão Europeia) ou uma décima mais abaixo (1,7%, FMI). E mesmo face ao crescimento registado no primeiro trimestre do ano (2,8%, segundo a estimativa rápida do INE) será necessário que ele se reforce na segunda…

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O centro-esquerda a caminho da irrelevância?

A Estátua de Sal

(Sheri Berman, in SocialEurope.eu, Tradução de José Luís S. Curado)

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A Europa actual está em crise. Economicamente, grande parte do continente sofre de baixo crescimento, alto desemprego e crescente desigualdade, enquanto politicamente, a desilusão com a comunidade europeia, bem como com as instituições e elites domésticas é generalizada. Em parte como resultado, o populismo de direita está a crescer, aumentando ainda mais a instabilidade política e a incerteza. Embora muitos tenham notado uma correlação entre a ascensão do populismo e o declínio da social-democrata ou centro-esquerda, a relação causal entre eles não foi suficientemente salientada. De facto, em grande parte, os falhanços destes últimos explicam a surpreendente popularidade do primeiro (populismo, n.t).

O papel histórico do centro ou da esquerda social-democrata

Embora o declínio da social-democracia e a ascensão do populismo se tenham tornado particularmente perceptíveis desde a crise financeira que começou em 2008, as raízes de ambos situam-se muito…

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Esquerda e Direita no século XXI

A Estátua de Sal

(Por Immanuel Wallerstein, in Blog OutrasPalavras, 16/05/2017)

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As turbulências e reviravoltas políticas que vivemos irão recrudescer. A esquerda só vencerá se souber aliar os que lutam por direitos sociais às forças multiculturais. Este é, hoje, o sentido da luta de classes.


O período entre 1945 e 1970 foi, ao mesmo tempo, de altíssima concentração de capital ao redor do mundo e de hegemonia geopolítica dos Estados Unidos. Na geocultura da época, liberalismo de centro estava em seu ápice, como ideologia dominante. Nunca antes o capitalismo parecia ter funcionado tão bem. Mas isto não iria durar.

O alto nível de acumulação de capital, que favorecia em particular as instituições e o povo estadunidense, chegou ao limite de sua capacidade de garantir o quase monopólio de empresas produtivas necessário. A ausência deste quase monopólio fez com que a acumulação de capitais em todos os lugares começasse a estagnar. Os capitalistas foram obrigados…

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O MendesLeaks

A Estátua de Sal

(In Blog O Jumento, 15/05/2017)
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Compreende-se a elegância com que António Costa ignora o papel que tem vindo a desempenhar desde que Marques Mendes assumiu as funções de “Garganta Funda” de Pedro Passos Coelho. No governo de Passos, Marques Mendes assumiu as funções de informador não oficial do governo, divulgando aquilo que convinha a Passos que fosse Marques Mendes a comunicar.
Com o fim do governo de Passos Coelho seria de esperar que Marques Mendes não sobrevivesse enquanto comentador. Seria de esperar que que tivesse menos acesso à informação, passando a ter que se esforçar para opinar com qualidade os acontecimentos do dia a dia. Mas Marques Mendes estava tão habituado ao papel de bisbilhoteira nacional, que lhe dava tanto destaque, que não desistiu do papel.
Perdendo as funções de bisbilhoteira oficial do regime parece que Marques Mendes se transformou numa espécie de MendesLeaks, o TugaLeakes ao serviço da direita…

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Fátima, Futebol e Festival

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 15/05/2017)

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Não há conversa mais previsível que o enjoo moralista com quase tudo o que sejam manifestações populares que não correspondam às recolhas etnográficas ou aos cânones neorrealistas.

Mas dos três F que o Estado Novo usou para reduzir os portugueses a uma simplicidade mais maleável e menos subversiva, dois já foram absolvidos e absorvidos pela intelectualidade nacional. Antes de tudo, o futebol. Hoje, até fica mal a um intelectual não saber de bola. E o fado, a que chegaram novas vozes. Hoje, até fica mal a um poeta não ter escrevinhado nada para ser fadistado. Só mesmo Fátima continua, por razões evidentes, fora da lista do consensual.

Quando era novo o fado era música de fascistas e o futebol alienação para mentes embrutecidas. Porque era suposto o povo passar o dia a fazer a revolução. Isto quando não estava a trabalhar, obviamente. Este espírito…

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Ao serviço de quê e de quem vem ele a Fátima?

A Estátua de Sal

(Padre Mário Oliveira, in A Viagem dos Argonautas, 12/05/2017)

 
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O grande Capital que domina e dirige o mundo século XXI tem no papa Francisco, todo de branco vestido, a máscara da bondade, da misericórdia, da proximidade de que tanto necessita para manter adormecidas e anestesiadas as suas inúmeras vítimas em todo o mundo, de modo que nunca elas cheguem a dar conta do imenso sangue derramado por ele através da fome, do latrocínio, da exploração, da mentira estrutural, das guerras, do terror, do medo, da opressão, do desemprego, da emigração forçada, das doenças cientificamente provocadas e espalhadas, da multiplicidade de religiões, elas próprias, o que há de, ideológica e teologicamente, mais perverso e gerador de divisões e de ódios sem conta nem medida.

Uma calamidade à escala global que teimamos em não dar por ela, porque nascemos, crescemos e morremos com mentes cegas que fanaticamente recusam ver a luz…

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A morte de BB, aquele que sabia bem onde estava no 25 de Abril

A Estátua de Sal

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Durante meses publiquei as crónicas de Baptista Bastos do Jornal de Negócios e também do Correio da Manhã, sempre que conseguia ultrapassar a aversão de visitar este último.

Baptista Bastos era senhor de uma prosa magnífica e de um refinado domínio da palavra, um português sempre cerimonial mesmo quando escrevia sobre casos simples, da vida dos mais simples, mas que nunca eram pequenos casos porque se transformavam em grandes paradigmas quando tratados pela sua pena.  É sempre com mágoa que vemos partir um viciado da liberdade, um lutador pela democracia, um artífice da palavra e do verbo a servir a liberdade e a democracia.

Que fiques entre flores, Baptista Bastos, para todo o sempre. Qual Cão Velho entre flores, como intitulaste um dos  teus mais emblemáticos romances que nos deixas.

Estátua de Sal, 09/05/2017


(In Diário de Notícias, 09/05/2017)

1934-2017. Conhecido como colunista nos últimos anos, começou na António Arroio pois queria…

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Salvar o capitalismo para quê?

A Estátua de Sal

(Maria de Lurdes Rodrigues, in Diário de Notícias, 10/05/2017)

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Robert Reich profere amanhã, quinta-feira 11, no ISCTE, uma conferência intitulada “Como a desigualdade nos Estados Unidos criou Trump: um aviso à Europa”. Vale a pena assistir, como vale a pena conhecer as ideias e propostas deste economista norte-americano, professor de políticas públicas na Universidade de Berkeley, com uma intervenção cívica intensa na vida do seu país.

A originalidade de Robert Reich está em defender, simultaneamente, o capitalismo e mais justiça social. Afasta-se dos que, à esquerda, defendem um estado de grande dimensão e com forte presença na economia e é mais radical do que os defensores do Estado social europeu por defender mais distribuição da riqueza criada e não apenas mais redistribuição.

Reich combina nos seus trabalhos a análise rigorosa de dados históricos e séries longas de indicadores estatísticos sobre a evolução da economia norte-americana, com a formulação de propostas…

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A grande fraude

A Estátua de Sal

(Joseph Praetorius, in Facebook, 09/05/2017)

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O funcionalismo dos partidos políticos confessou agora o seu preço em França. (Ver notícia aqui). Valls e Hollande demonstram claramente duas coisas: os funcionários do partido mataram o partido socialista, mas, mais interessante ainda, isso não decorreu de uma inabilidade, sendo, bem ao contrário, uma habilidade. Foi claramente intencional; os funcionários “socialistas” quiseram realmente e querem ainda que o partido socialista morra.

Ficamos portanto entendidos em dois aspectos do problema: é imprescindível a exigência da genuinidade das designações e opções político-partidárias, antes de mais. O alcance de fraude é inegável e a viablização da fraude é impensável. Quem elegeu Hollande votou socialista e “elegeu” outras coisas que ali estavam infiltradas.

É imprescindível uma resposta política, claro, mas também deve haver uma resposta legal e jurisdicional. O que temos em presença chama-se dissimulação fraudulenta, com alcance gravíssimo na vida das organizações institucionais e do Estado…

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