O que é que Ricardo Salgado tem?

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 27/07/2015)

Nicolau Santos       Nicolau Santos

Até há um ano, sabia-se o que Ricardo Salgado tinha: influência, muita influência, e poder, muito poder. Por isso é que era conhecido pelo Dono Disto Tudo. Agora, apesar da sua prisão domiciliária, as condições em que ela decorreu e as medidas de coação que lhe foram impostas, provam que a sua aura de DDT ainda não desapareceu. Ou então que, para o juiz Carlos Alexandre, há filhos e enteados (da Justiça, entenda-se).

Um ano depois da resolução do Banco Espírito Santo (ou melhor, da sua extinção, ordenada pelo Banco de Portugal) e da implosão do Grupo Espírito Santo, o juiz Carlos Alexandre invoca como motivos para a detenção domiciliária de Ricardo Salgado os riscos de fuga e perturbação do inquérito, através da ocultação ou manipulação de provas. Ora muito bem: durante um ano, o dr. Ricardo Salgado não esteve sujeito a…

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SILLY SEASON

A Estátua de Sal

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 25/07/2015)

Clara Ferreira Alves                          Clara Ferreira Alves

Como aves de arribação, os jornalistas desembarcam todos no mesmo lugar da crise aguda, e desembarcam assim que se torna crónica, gerando o desinteresse coletivo


O ciclo noticioso de 24 horas e o fluxo de informação fazem com que todos os acontecimentos sejam equivalentes e logo esquecidos. A notícia vive do choque, do sobressalto, do instante, permeável ao imediatismo e ao sentimentalismo. Assim, toda a moral se torna relativa e subjetiva. Tivemos o “Charlie Hebdo”, o ‘Je Suis Charlie’, o Daesh, os vídeos das decapitações, os refugiados sírios, os afogados do Mediterrâneo, a vitória do Syriza, Varoufakis vs. Schäuble. Tivemos eleições nacionais e regionais, ameaças separatistas, pronúncias papais sobre homossexuais, um acordo iraniano e a concórdia cubano-americana. E temos agora, nos Estados Unidos, em carrossel noticioso, the Donald, um espécime raro do narcisismo. Em Portugal, tivemos a versão periférica destas…

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PASSOS E AS NOVELAS DE CORIN TELLADO

A Estátua de Sal

(Estátua de Sal, 23/07/2015)

CORIN

Quando não havia internet e a televisão não tinha o impacto e a difusão que tem hoje, uma escritora espanhola, Corin Tellado, vendia milhares de livros e fotonovelas, que alimentavam o imaginário e mitigavam a tristeza da vida de milhares de espíritos, mormente dos espíritos femininos. Eram histórias de amor e desamor, bruxas más e fadas boas que acabavam sempre bem: casaram, tiveram muitos meninos e foram felizes para sempre.
Ora, depois de ver a prestação de Passos Coelho, na entrevista à TVI, lembrei-me de imediato dessa literatura de consabidos efeitos lenitivos.
Passos, é melhor que Corin Tellado. É um grande romancista, de literatura cor de rosa, depois de hoje lhe terem sido gabadas pelos amigos as suas qualidades de desconhecido xadrezista e de putativo cantor de ópera. Na literatura cor de rosa os primeiros capítulos são sempre de intriga, de maldade, de pérfidas manobras contra os bons…

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A zona euro são 19. Se a Grécia sai ficam… 6?

A Estátua de Sal

(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso Diário, 22/07/2015)

Pedro Santos Guerreiro                    Pedro Santos Guerreiro

(Nota: Este texto é interessante. O autor não quer acreditar que Portugal e Espanha tenham querido dificultar as negociações com a Grécia por calculismo político, querendo evitar as consequências, que um eventual sucesso da Grécia nas negociações, teria nos futuros atos eleitorais nesses países, porque isso seria sadismo. Não querer acreditar é um direito legítimo de qualquer um, porque para acreditar é preciso fé. Nesse sentido, verbera mais Juncker por ter dito a verdade do que Passos ou Rajoy por terem feito o que fizeram e por serem o que são, nas palavras do autor, sádicos. Com o enviesamento propagandístico que tem vindo a acentuar-se na linha editorial do Expresso, só me resta perguntar, parafraseando Júlio César: “Também tu, Pedro Santos Guerreiro?” – Estátua de Sal.)

A sucessão de reuniões de Eurogrupo, de cimeiras, de rondas de negociações, de…

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Os Indícios do indício do indício

A Estátua de Sal

.(Estátua de Sal, 10/07/2015)

Rosário Teixeira                          Rosário Teixeira

Eu olhei para ti e o teu nariz indiciava que estavas constipado. Estava meio para o vermelhusco. Mas, isso sou eu que não percebo nada de indícios. O Juiz Alexandre e o Procurador Rosário, não. Esses são especialistas em indícios.

Tiveste azar. O Rosário cruzou contigo, quando foste à farmácia comprar Nasonex, olhou-te para o nariz e viu logo que a constipação era uma grande tanga. Tu eras, sim, um cocainómano inveterado, via-se logo pelo nariz, e lá foste engavetado, por fortes indícios de consumo de drogas. Recorreste da pena, claro, mas como podias continuar a snifar, mantiveram-te em preventiva para o Rosário poder discernir a proveniência do pó.

Foram-te ver as contas bancárias. Azar o teu. Tinhas comprado no Ebay, uma mala Louis Vuitton, daquelas caras mas chiquérrimas, que estava ao preço da chuva, e tinhas pago com a conta do Paypal…

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A Grécia na véspera de ser tarde de mais

A Estátua de Sal

(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso Diário, 06/07/2015)

Pedro Santos Guerreiro                Pedro Santos Guerreiro

Deixar sair é deixar cair. É deixar a Grécia tombar para vala incomum da catástrofe humanitária. É deixar os bancos colapsarem e pagar parte do prejuízo – não veremos um chavo. Mas o “não” do referendo não criou esse risco, confrontou a Europa com ele. Os gregos já estavam feridos pela seta, no referendo escolheram o risco de empurrá-la pela barriga adentro para que saia pelas costas. Mas quem quis matar politicamente Alexis Tsipras revigorou-o. Queriam um sonâmbulo, saiu-lhes um funâmbulo, um político meio doido que faz o inesperado e, podendo estatelar-se, salta. Basta que o BCE deixe de apoiar e a ruína chega em poucas horas.

Os gregos sabem-no, o seu voto no “não” foi esclarecido, não foi desesperado. Os bancos estão literalmente sem dinheiro. Se o BCE retira o apoio, faltará o dinheiro e sem dinheiro…

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KARL, MANDA O CHANEL NOIR

A Estátua de Sal

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 04/07/2015)

Clara Ferreira Alves                Clara Ferreira Alves

(Nota: Apesar das ações dos agentes, individualmente considerados, não serem explicação suficiente para o curso da História, também não há explicação desta que possam ignorar a importância de algumas personagens. E, neste sentido, este texto é notável por prefigurar arquétipos comportamentais diversos que determinarão, seguramente, o resultado do referendo grego de amanhã e do que se irá passar em consequência. Estátua de Sal.)

O problema dos gregos foi e será um bom tema para os profissionais do conselho, que têm várias soluções para a crise e orientações de voto

Toda a gente tem, tinha, teria, teve, terá, um conselho a dar aos gregos sobre como votar num referendo, incluindo os profissionais do conselho. Proponho uma grelha fixa de opção múltipla.

1) Sou um douto Prémio Nobel de Economia a atirar para o keynesiano e vivo em Manhattan que fica longe de Atenas. Sou pago a…

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