A MÁQUINA DE CORTAR FIAMBRE

A Estátua de Sal

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 25/04/2015)

Clara Ferreira Alves                 Clara Ferreira Alves

Na vulgata bíblica, o nosso coelho seria um bem-aventurado, bem-aventurados os pobres de espírito porque deles será o reino dos céus.

Temos de considerar os pronunciamentos do primeiro-ministro como indissociáveis do dr. Passos Coelho. O que quer dizer que quando diz uma palurdice com jovialidade ou desdém, o primeiro-ministro fala. E Passos Coelho diz não uma mas várias palurdices. Anote-se a imaginativa comparação de Portugal com Singapura e a aposta na “competitividade” da economia portuguesa (a sétima mais lenta do mundo). É a comparação do sétimo cágado do mundo com o galgo asiático. Calcula-se que o nosso primeiro nunca tenha posto um pé em Singapura e muito menos passado os olhos pelas obras completas de Lee Kwan Yew. Um fez do prostíbulo e entreposto colonial de Singapura um país moderno, próspero e que trata bem os seus nacionais, outro esqueceu-se…

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O Legado de Abril

A Estátua de Sal

ABRIL


   A história repete-se, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

(MARX, K., in “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, 1852.)


Passaram 41 anos desde 25 de Abril de 1974.

O País mudou, entre lágrimas, risos, promessas e esperanças.

Éramos menos, muito menos. Éramos pobres, e ainda somos, mas mais pobres. Não havia estradas, quanto menos auto, e os comboios ronceavam por montes e vales. Água, que não dos poços e das fontes, e saneamento para lá da latrina, ainda era um luxo para muitos. Uma côdea de pão e uma sardinha enganava a fome de inúmeros. Partíamos com uma mala de cartão e demandávamos franças e brasis. O campo lavrava-se de suor e o bafo do gado dormia com as almas e aquecia as casas. Os novos saiam da idade das fisgas para a idade da jorna, ou para o óleo das fábricas, os mais hábeis de…

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Partido contra partido, programa contra programa

A Estátua de Sal

(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso Diário, 22/04/2015)

Pedro Santos Guerreiro                    Pedro Santos Guerreiro

Até ontem, o PS não fazia oposição, estava contra. E isso esvaziava o debate político, deixando um espaço que ia sendo preenchido com frases, casos, bombinhas e bombocas; a forma a fazer de substância. Ontem, passámos do polemizar para o polarizar. Porque agora já há oposição que se veja, que se debata, que conteste e que se conteste.

A oposição existe agora não como abstração entre PSD/CDS e PS mas como coisa concreta entre, do lado do governo, o Programa de Estabilidade e o Programa de Reformas e, do lado dos socialistas, o documento das propostas para a próxima década. Não por acaso, o primeiro confronto não é entre as políticas em si, mas sobre a credibilidade das previsões e dos cenários implícitos.

Já ontem escrevi que as políticas neste momento em confronto são absolutamente simétricas, tão próximas uma da…

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PS: em vez de cofres cheios, bolsos cheios

A Estátua de Sal

(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso Diário, 21/04/2015)

Pedro Santos Guerreiro                Pedro Santos Guerreiro

Queriam uma política de esquerda, anti-troika e centrada nos trabalhadores? Ei-la, apresentada por um grupo de economistas no Largo do Rato. Nunca o PS foi tão diferente do PSD. Depois disto, António Costa e Passos Coelho nunca poderão estar no mesmo governo.

Um grupo de economistas ligados ao PS acaba de fazer um conjunto de propostas económicas que é fácil de perceber: é o contrário da política económica atual. Propõe dar a volta ao mundo no sentido oposto ao de Passos/troika para chegar aos mesmos antípodas: prosperidade com equilíbrio das contas públicas.

Este texto é uma primeira análise ao conjunto de medidas, não se debruça sobre cada medida em si, exercício que faremos de seguida mas que exige mais tempo, estudo e contraditório. Mas o que foi apresentado por Mário Centeno tem uma enorme vantagem: é claro e é…

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