O holandês errante

A Estátua de Sal

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 24/03/2017)

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Finalmente, Dijsselbloem é oficialmente considerado uma besta. Demorou, mas lá chegámos. As eleições holandesas mostraram que o Dijsselbloem ainda é menos popular no país dele do que nos países do sul. Desta vez, o presidente do Eurogrupo não disse, como antes das eleições gregas, que os gregos tinham de escolher se queriam ser uma Coreia do Sul ou do Norte. Na altura, eram os do Norte que eram os maus da fita.

Como todos já devem ter conhecimento, excepto os que felizmente estavam bêbedos, Dijsselbloem disse que os países do Sul gastam tudo em álcool e mulheres. O mais incrível é dizer isto como se fosse mau. Quem me dera ter gasto tanto dinheiro em boémia como gastei em bancos. A verdade é que enquanto a nossa taxa de alcoolemia subia, o partido de Jeroen Dijsselbloem caía dos 25% para os 6%. Se…

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Inocência por incompetência?

A Estátua de Sal

(Francisco Louçã, in Público, 14/03/2017)

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Tinha mesmo que vir: o argumento da inocência por incompetência era o que sobrava aos anteriores ministros PSD-CDS quando confrontados com o Nunciogate. Maria Luís Albuquerque anda fugida dos microfones, o que nem é hábito dela, mas Assunção Cristas enterrou-a sem piedade, quando perguntada sobre se ainda concorda com a resolução do BES tal como ocorreu:

“É uma pergunta difícil, porque, mais uma vez, volto a este ponto, nós não discutimos os cenários possíveis no Conselho de Ministros. Aliás, a resolução do BES foi tomada pelo BdP e depois teve de ter um diploma aprovado pelo Conselho de Ministros. É aí que critico um bocadinho esta coisa de não termos nada que ver, o Conselho de Ministros não tem nada que ver, mas no fim da história é ele que tem de aprovar o decreto-lei. Esse decreto-lei foi aprovado com uma possibilidade…

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Quem se mete com a Justiça leva

A Estátua de Sal

(Por Estátua de Sal, 13/03/2017)

DESCONFORTO

Quem se mete com a Justiça leva. Que o diga Sócrates que, enquanto primeiro ministro, cortou férias e outras mordomias aos juízes. Desse modo, tornou-se num alvo do ódiozinho de estimação dos senhores magistrados.

Perante este caso de exemplar retaliação – Sócrates já está destruído para todo o sempre, seja ou não culpado de qualquer ilícito, porque a Justiça já o enforcou e condenou na praça pública antes de o condenar em julgamento -, todos os actores políticos temem pronunciar-se sobre as reiteradas e cirúrgicas quebras do segredo de Justiça patrocinadas pelos senhores magistrados, e sobre a conivência e promiscuidade com certa comunicação social. Chega-se ao ponto de os arguidos tomarem conhecimento de factos acusatórios pelos jornais, não tendo ainda sido com eles  confrontados, logo  não se podendo  defender das acusações antes da sua divulgação pública.

Deste modo, quer os partidos, da direita à esquerda…

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Havia a princesa do povo. Nós temos o príncipe do povo.

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 10/03/2017)

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Bom dia. Este é o seu Expresso Curto. O dia está lindo, o céu azul, o sol brilhante. O país vai bem para o primeiro-ministro e mal para o líder da oposição. E temos um Presidente da República que congrega multidões à sua volta sempre que sai à rua e que está como peixe na água entre os seus súbditos.

Ontem, para assinalar o primeiro ano do seu mandato, esteve no Liceu Pedro Nunes, onde centenas de alunos o ouviram durante duas horas e lhe fizeram numerosas perguntas. Depois foi vender a revista Cais – conseguiu passar 30 exemplares – e almoçou sandes e refrigerantes com os dois sem-abrigo que tinham essa função. E foi a uma farmácia. O aparato era tanto que um homem que passou fez a comparação definitiva: “É como a Princesa Diana. É o príncipe do povo”,

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OS RESSABIADOS

A Estátua de Sal

(Joaquim Vassalo Abreu, 09/03/2017)

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“Ressabiado” é um dos tais adjectivos que não se chama a ninguém. Eu até o acho um dos mais feios que a língua portuguesa contem. É como chamar “sonso” ou “sonsa” a alguém, e se for no feminino aí até o caldo de certeza que entorna. Porque o “ressabiamento” releva para o melindre, para o agastamento, para o ressentimento. Tudo coisas a que não devemos apelar das profundezas de qualquer ser, assim de mal com a vida ou descontente com o rumo que leva…E torna-se mesmo perigoso, pois apela à “revanche”.

Assim como no futebol, onde assistimos a gente insuspeita lançar impropérios intraduzíveis contra os árbitros e tudo o que se movimente e não sirva os superiores desígnios da sua equipa e nós, não fanáticos, olhamos de soslaio e nos perguntamos “Este? Como pode ser?”, também no caso de ontem da Assembleia, para quê Costa chamar…

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Um ano de presidência: one man show

A Estátua de Sal

(Por Estátua de Sal, 09/03/2017)

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Declaração de interesses: não votei em Marcelo. Mas o paradoxo é que, provavelmente, como muitos que nele não votaram, me sinto hoje muito mais confortável com o seu primeiro ano de exercício do que a maioria dos que nele votaram.

A direita anda amuada com Marcelo. Esperava um presidente conspirador, uma versão mais refinada – e por isso mais perigosa -, da mão atrás do arbusto,  um fazedor de cenários políticos,  e saiu-lhe um presidente colaborante com o governo, prezando a estabilidade acima de tudo. Esperava um presidente que lhe desse boleia para o regresso à governação conseguida à custa do regresso do diabo e das sete pragas do Egipto nos cornos do mafarrico, e saiu-lhe um presidente que diz e defende que tudo o que for bom para o país terá a sua benção mesmo que seja a esquerda a consegui-lo.

E…

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Carlos Costa tem de se demitir

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 06/03/2017)

Autor                                   Daniel Oliveira

Apesar de conseguir dar um retrato mais completo e compreensível de todo o caso do BES e de lhe acrescentar alguns novos pormenores, a investigação de Pedro Coelho, jornalista da SIC que já fora responsável pelo trabalho sobre o BPN, não nos dá novidades em relação a todas as suspeitas que tínhamos. Dá-nos provas definitivas sobre a incúria consciente de Carlos Costa e sobre as suas responsabilidades diretas no desfecho que o caso teve. E isso faz toda a diferença.

Que Carlos Costa sabia tudo o que era necessário saber para intervir de forma pronta e determinada, não precisaríamos desta excelente reportagem para confirmar. Todos os dados são, quanto a isto, evidentes há muito tempo. O estado do Grupo Espírito Santo e o efeito que…

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