Ou mentiu a Bruxelas. Ou mentiu aos portugueses

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 29/01/2015)

nicolau

O debate parlamentar desta manhã ficou marcado pelas acusações da direita à pouca confiabilidade das linhas orientadoras do Orçamento do Estado para 2016, ancoradas na carta da Comissão Europeia ao Governo a pedir mais explicações, na avaliação da UTAO e nas sempre muito isentas análises das agências de rating. Mas para quem foi buscar lã, Passos Coelho saiu tosquiado, com a sua ausência de resposta à acusação de que garantiu a Bruxelas que os cortes nos salários e a sobretaxa do IRC eram definitivos – ao contrário do que nos disse a nós, portugueses.

Não é que não desconfiássemos ou não soubéssemos mesmo. Sempre que o ex-primeiro-ministro, Passos Coelho, aparecia com o seu ar seráfico a anunciar mais um corte salarial dos funcionários públicos, mais uma redução das pensões, mais uma sobrecarga fiscal ou outro ónus da mesma jaez, dizia-nos sempre, para nos…

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Quando a Autoridade Tributária foi usada numa campanha para enganar os contribuintes

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 27/01/2016)

Autor                         Daniel Oliveira

Não é português. Nós tendemos a não gostar de quem nos leva parte do salário. E por isso tendemos a não gostar da máquina fiscal. Mas, na maior parte dos casos, reconhecemos a sua necessidade e, por isso, respeitamo-la. É desse respeito que depende a sustentabilidade das contas públicas e de todas as funções do Estado: o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a segurança pública, o sistema de Justiça. É justo dizer que, nos últimos 20 anos, o nosso sistema fiscal se tornou muito mais eficaz, tendo para isso sido muito importante o papel do antigo diretor geral Paulo Macedo. Apesar de o ter criticado enquanto ministro da Saúde, onde penso que não fez um bom trabalho, é justo reconhecer os seus méritos anteriores. Nestes anos tornou-se muitíssimo mais difícil fugir ao fisco, o que se traduz, apesar de…

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BISCATES – A República Televisiva Portuguesa – por Carlos de Matos Gomes

A Viagem dos Argonautas

biscates

A eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para presidente da República Portuguesa é uma TAC à sociedade portuguesa. Nós gostamos de TAC, de ressonâncias magnéticas e exames assim. O Professor Marcelo é um assumido hipocondríaco. Estamos, os portugueses e o seu novo presidente da República, bem uns para os outros.  De parabéns. A saúde primeiro. Depois o divertimento. Muita televisão.

Entre candidatos com várias competências, os portugueses escolheram um cronista social para presidente da República. Desde 1999, data em que saiu da presidência do PSD, que o Professor Marcelo tem como actividade mais visível a crónica social nas televisões. Como cronista social, o Professor Marcelo critica eventos sociais e políticos, sem nunca tomar posição sobre qualquer assunto. É a função do cronista. Não foi o cronista Fernão Lopes que combateu em Aljubarrota, nem que se apresentou às cortes para assumir a responsabilidade de reinar.

O Professor Marcelo tem sido a…

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Os objectos da memória

A Estátua de Sal

(José Pacheco Pereira, in Público, 23/01/2016)

Autor                    Pacheco Pereira

Uma interessante iniciativa do Museu Victoria e Alberto de Londres é aquilo a que chama “rapid response collection”, uma colecção de objectos triviais, mas que se associam a determinados eventos. Os objectos são mesmo triviais e não é o seu design, nem sequer o seu papel na história do consumo, nem do quotidiano, que os faz ir para o museu. Não são uma cadeira da Bauhaus, mesmo que nós não a reconheçamos como tal, nem o zip que fecha um blusão, nem um Big Mac de plástico, nem um isqueiro Zippo. São outro tipo de objectos que fizeram parte de um evento histórico ou simbólico qualquer, que torna a sua trivialidade especial, porque a história os tocou. A exposição num museu de “artes decorativas” passa a ter uma ala que está em permanente mudança, porque a história está permanentemente a “tocar” diferentes…

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O homem que as televisões criaram

A Estátua de Sal

(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 22/01/2016)

bb1 Baptista Bastos

Que sabemos de Marcelo fora do que a televisão nos queira dar? As omissões chegam a ser afrontosas.

Se as eleições presidenciais derem a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa, mais uma vez ficarão provados os malefícios da televisão, quando usada como o tem sido no nosso país. Quais os méritos do candidato, para exercer um cargo tão importante como o de Presidente? É um homem afável e sorridente, mas isso não chega. É bom professor, também não chega. Chega o quê? Depois de Cavaco, nem tudo basta. Cavaco foi, certamente, o pior Presidente depois de Abril. Aliás, ele nunca demonstrou grande simpatia pela Revolução e quase sempre tripudiou sobre a Constituição da República. Como primeiro-ministro, foi o que se viu. E a afabilidade cúmplice que mostrou por Passos Coelho e os seus é sintomática do unilateralismo ideológico que o impulsiona…

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Da inutilidade e hipocrisia do dia de reflexão

Farrusco

Manda a lei, no dia de hoje, que as trombetas partidárias se calem, para que não exista propaganda eleitoral nem apelos ao voto. Numa sociedade globalizada, em que a informação circula de forma livre e sem controlo em inúmeras plataformas, a existência de um dia como este é não só um absurdo como um insulto à inteligência dos cidadãos eleitores.

princípio segundo o qual foi inventado este dia é básico: pensar, ponderar, e só depois votar. Mas, nessa época, o País tinha às costas mais de 40 anos de ditadura, e uma avalancha de informação e debate político a que não estava habituado. Talvez nessa altura, sem querer ser paternalista, fizesse sentido parar para pensar, de forma aturada, antes de decidir em quem votar. Hoje, com a quantidade de informação disponível e o acesso à Internet mais do que democratizado, imaginar que alguém chega a este dia não sabendo, pelo…

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Tenhamos piedade de Marcelo

A Estátua de Sal

(Henrique Raposo, in Expresso, 09/01/2016)

marcelo

(Nota Introdutória – Nunca imaginei que alguma vez iria publicar um texto de um dos mais radicais plumitivos da Direita que opina com regularidade no espaço público, a saber, Henrique Raposo. Mas, perdoem-me os que me leem e seguem, não resisti. É que o escriba, tem jeito e o retrato que faz de Marcelo é arrasador. E mais, é insuspeito por vir de quem vêm. Provavelmente retrata aquilo que alguns sectores de Direita pensam de Marcelo. Contudo, eles são pragmáticos. No dia das eleições lá colocarão a cruz. E talvez nem precisem de tapar os olhos e engolir sapos como tiveram os comunistas que fazer em 1986 quando votaram em Mário Soares contra Freitas do Amaral a conselho do próprio Álvaro Cunhal. – Estátua de Sal, 09/01/2016)



Marcelo Rebelo de Sousa costumava passar o Ano Novo no Brasil com o amigo Ricardo Salgado. Contudo, Marcelo não…

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