Ronaldo, um fabuloso exemplo

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 05/06/2017)

nicolau

De menino pobre nascido na ilha da Madeira a melhor futebolista do mundo, a história de Cristiano Ronaldo prova que se pode fintar o destino e que podemos ser muito mais do aquilo que julgamos possível.

Pegar nos êxitos de um rapaz que ganha a vida a dar chutos numa bola para fazer comparações com a sociedade portuguesa é seguramente, para muitos, um sacrilégio. E no entanto, Cristiano Ronaldo tinha tudo para reproduzir ao longo da vida o ciclo da pobreza da família em que nasceu e que é a história de mais de dois milhões de portugueses, com pouca ou nenhuma educação escolar, sem especialização, condenados a trabalhar como mão-de-obra desqualificada e mal paga ao longo de todo o seu período ativo, sem qualquer hipótese de sair desse quadro de deserdados do progresso e sem qualquer esperança num futuro melhor.

Cristiano Ronaldo chegou…

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Do roubo do BPN ao furto de chocolates Milka e de quatro queijos de cabra

A Estátua de Sal

(Carlos Rodrigues Lima, in Diário de Notícias, 28/05/2017)

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Esta semana, temos Oliveira Costa, chocolates Milka e quatro queijos de cabra. Não é uma receita para uma salada. É apenas jurisprudência.


Esta semana, o país exorcizou – ainda que parcialmente – um fantasma: o BPN. Esse mesmo. O banco que nos custou qualquer coisa como cinco mil milhões de euros. Em primeira instância, o tribunal condenou a maioria dos arguidos a penas de prisão. O fundador/ex-presidente e rosto da instituição, José Oliveira Costa, apanhou a pena mais pesada: 14 anos de cadeia. Neste processo, o crime de burla qualificada foi imputado a vários arguidos. Isto é, no fundo, tratou-se de desvio de dinheiro do próprio banco.

Mas, ao nível dos conceitos de direito, o pessoal do colarinho branco não furta nem, utilizando a linguagem popular, rouba um banco. Isto são crimes de gente pobre, indigente. Um finório burla um banco. Porque…

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Um Presidente irritantemente otimista

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 19/05/2017)

nicolau

Marcelo Rebelo de Sousa, que acusa o primeiro-ministro de ser irritantemente otimista, fez ontem afirmações na Croácia que o colocam também nesse grupo onde até agora só estava António Costa. Com efeito, anunciar que a economia pode crescer 3,2% este ano é uma previsão tão arriscada que até agora nenhuma entidade nacional ou internacional a ousou fazer. Onde foi o Presidente da República buscar tal dado?


Com efeito, a previsão mais otimista que existe até agora para o crescimento da economia portuguesa em 2017 é de 2,4%, feito pelo núcleo de estudos da Universidade Católica. Todas as outras previsões se situam em torno de 1,8% (Governo, Banco de Portugal, Comissão Europeia) ou uma décima mais abaixo (1,7%, FMI). E mesmo face ao crescimento registado no primeiro trimestre do ano (2,8%, segundo a estimativa rápida do INE) será necessário que ele se reforce na segunda…

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O centro-esquerda a caminho da irrelevância?

A Estátua de Sal

(Sheri Berman, in SocialEurope.eu, Tradução de José Luís S. Curado)

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A Europa actual está em crise. Economicamente, grande parte do continente sofre de baixo crescimento, alto desemprego e crescente desigualdade, enquanto politicamente, a desilusão com a comunidade europeia, bem como com as instituições e elites domésticas é generalizada. Em parte como resultado, o populismo de direita está a crescer, aumentando ainda mais a instabilidade política e a incerteza. Embora muitos tenham notado uma correlação entre a ascensão do populismo e o declínio da social-democrata ou centro-esquerda, a relação causal entre eles não foi suficientemente salientada. De facto, em grande parte, os falhanços destes últimos explicam a surpreendente popularidade do primeiro (populismo, n.t).

O papel histórico do centro ou da esquerda social-democrata

Embora o declínio da social-democracia e a ascensão do populismo se tenham tornado particularmente perceptíveis desde a crise financeira que começou em 2008, as raízes de ambos situam-se muito…

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Esquerda e Direita no século XXI

A Estátua de Sal

(Por Immanuel Wallerstein, in Blog OutrasPalavras, 16/05/2017)

wall

As turbulências e reviravoltas políticas que vivemos irão recrudescer. A esquerda só vencerá se souber aliar os que lutam por direitos sociais às forças multiculturais. Este é, hoje, o sentido da luta de classes.


O período entre 1945 e 1970 foi, ao mesmo tempo, de altíssima concentração de capital ao redor do mundo e de hegemonia geopolítica dos Estados Unidos. Na geocultura da época, liberalismo de centro estava em seu ápice, como ideologia dominante. Nunca antes o capitalismo parecia ter funcionado tão bem. Mas isto não iria durar.

O alto nível de acumulação de capital, que favorecia em particular as instituições e o povo estadunidense, chegou ao limite de sua capacidade de garantir o quase monopólio de empresas produtivas necessário. A ausência deste quase monopólio fez com que a acumulação de capitais em todos os lugares começasse a estagnar. Os capitalistas foram obrigados…

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O MendesLeaks

A Estátua de Sal

(In Blog O Jumento, 15/05/2017)
noia
Compreende-se a elegância com que António Costa ignora o papel que tem vindo a desempenhar desde que Marques Mendes assumiu as funções de “Garganta Funda” de Pedro Passos Coelho. No governo de Passos, Marques Mendes assumiu as funções de informador não oficial do governo, divulgando aquilo que convinha a Passos que fosse Marques Mendes a comunicar.
Com o fim do governo de Passos Coelho seria de esperar que Marques Mendes não sobrevivesse enquanto comentador. Seria de esperar que que tivesse menos acesso à informação, passando a ter que se esforçar para opinar com qualidade os acontecimentos do dia a dia. Mas Marques Mendes estava tão habituado ao papel de bisbilhoteira nacional, que lhe dava tanto destaque, que não desistiu do papel.
Perdendo as funções de bisbilhoteira oficial do regime parece que Marques Mendes se transformou numa espécie de MendesLeaks, o TugaLeakes ao serviço da direita…

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Fátima, Futebol e Festival

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 15/05/2017)

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Não há conversa mais previsível que o enjoo moralista com quase tudo o que sejam manifestações populares que não correspondam às recolhas etnográficas ou aos cânones neorrealistas.

Mas dos três F que o Estado Novo usou para reduzir os portugueses a uma simplicidade mais maleável e menos subversiva, dois já foram absolvidos e absorvidos pela intelectualidade nacional. Antes de tudo, o futebol. Hoje, até fica mal a um intelectual não saber de bola. E o fado, a que chegaram novas vozes. Hoje, até fica mal a um poeta não ter escrevinhado nada para ser fadistado. Só mesmo Fátima continua, por razões evidentes, fora da lista do consensual.

Quando era novo o fado era música de fascistas e o futebol alienação para mentes embrutecidas. Porque era suposto o povo passar o dia a fazer a revolução. Isto quando não estava a trabalhar, obviamente. Este espírito…

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