Do milagre segundo Teodora Cardoso aos offshores

A Estátua de Sal

(Francisco Louçã, in Público, 03/03/2017)

louca       Francisco Louçã

Manda o rigor que se diga que foi a jornalista da Rádio Renascença quem falou de “milagre” na conversa com a entrevistada, Teodora Cardoso, mas esta entusiasmou-se e usou-a para argumentar que, afinal, o défice é ilusório. Como a noção tinha precedência, afinal a própria entrevistada tinha sugerido no final do ano passado que só por “fé” se poderia imaginar que fosse alcançado o objectivo do défice, ficou a tese do “milagre”. Terá portanto sido coisa sobrenatural, independente da vontade ou do mérito humano.

Não foi. Foi do lado da despesa o efeito de uma sucessão de cortes antigos, só parcialmente repostos, combinado com algumas medidas excepcionais e com o impacto, esse estrutural, da melhoria do desempenho da economia e do alívio das pessoas. Ou seja, o que salvou a economia foi a viragem de 2015 com o…

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Uma montanha de carácter

A Estátua de Sal

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 03/03/2017)

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O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, assumiu a sua “responsabilidade política” pela não publicação de dados relativos às transferências de dinheiro para “offshores”, pedindo o abandono das suas funções actuais no CDS-PP. Acho que não chega, e vai em desterro para as ilhas Caimão.

Núncio “quis libertar o partido” a que pertence [CDS-PP] “de quaisquer controvérsias ou polémicas nesta matéria”. Se é para libertar o CDS de controvérsias, o melhor é sair do PP e inscrever-se no PSD.

Assunção Cristas veio dizer que Paulo Núncio, ao assumir a sua “responsabilidade política” pela não publicação de dados relativos às transferências de dinheiro para “offshores”, revela “uma grande elevação de carácter”. Acho que uma elevação com mais de 10 mil milhões já é considerada uma montanha. É pena não haver uma fossa das marianas de lisura para a Assunção mergulhar. Se Paulo…

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A ameaça pode atingir todos nós

A Estátua de Sal

(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 03/03/2017)

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A sociedade portuguesa vive numa condição de atrito moral poucas vezes visto porque raramente assumido. Há um manifesto desprezo pela coisa pública, e o pensamento, esse, parece dominado pela absorção dos valores. Há necessidade de se definir o desenvolvimento e o progresso social, mas as coisas são apenas definidas pelo fim da ideologia. Portugal vive um dos momentos mais gravosos, desde a democracia. Os valores mais fortes têm sido dizimados por uma casta que, nos jornais sobretudo, tenta impor uma nova ordem de pensamento. Estamos a chegar a um período em que os Estados já não são os promotores do desenvolvimento e do equilíbrio social. E a violência tende a substituir a ciência e o desenvolvimento. As guerras de posse atingiram um nível desusado, e a miséria, a fome e a destruição parecem ser os protagonistas de uma nova, e estranha, concepção de…

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Alô, alô, Juiz Carlos Alexandre

A Estátua de Sal

(In Blog UmJeitoManso, 03/03/2017)

Escreve o insuspeito Observador notícia que me deixa boquiaberta. Para a mim própria me convencer de que não estou a delirar, cito um excerto:Procurador suspeito de corrupção terá emprestado 10 mil euros a Carlos AlexandreOrlando Figueira, suspeito de corrupção e um dos principais arguidos da Operação Fizz, terá emprestado 10 mil euros ao juiz Carlos…

via Alô, alô, Juiz Carlos Alexandre! Ora, então, dizia V.Ex.ª, a propósito do Eng. Sócrates, que “quem cabritos vende e cabras não tem de algum lado lhe vem” Referia-se, V.S.ª, também ao facto de cerca de um ano depois vir, V.S.ª, a receber um empréstimo de um seu amigo? (E que amigo, Ex.ª… logo um Procurador suspeito de corrupção) — Um jeito manso

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A TEODORA VIROU SONORA!

À Esquerda do Zero

Ou: Portugal, uma “Tenda de Milagres”!

Quer dizer, ela deu uma entrevista a um jornal, vi hoje no Facebook e fiquei tão fascinado que…li tudo!

Eu já há uns tempos escrevi e publiquei um texto ( que o Estátua de Sal também compartilhou) a que chamei de “TEODORA, a INSONORA”, ( para quem não leu vai aqui o Link: http://wp.me/p4c5So-J1 e se não leram não deixem de ler porque acho que , com todo o respeito que a Senhora, enquanto pessoa, me merece, até está bem conseguido), mas desta vez, e a propósito das suas novas declarações, ela falou e falou de um tema que eu já aqui abordei ao de leve, mas que agora vou desenvolver mais um pouco:o dos “Milagres”.

Dos “Milagres” e dessa tendência cada vez mais crescente de, ocorrendo algum sucesso pátrio ou de alguém que não nos merecendo total credibilidade ele seria, portanto, de inacessível…

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A bosta da semana

A Estátua de Sal

(Por Estátua de Sal, 02/03/2017)

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Vi ontem pela noite, na SIC Notícias, o denominado programa Negócios da Semana, dirigido pelo conhecido jornalista enciclopédico José Gomes Ferreira, e vou justificar o trocadilho que dá o título a este artigo. Foi a coisa mais suja e tendenciosa que vi nos últimos tempos em televisão.

O painel, escolhido a dedo, e por várias reacções, com ensaio prévio das deixas entre uns e outros, tinha três objectivos em carteira. O Ferreira era uma espécie de maestro com pauta e batuta para os pôr a vomitar esterco.

O primeiro era provar que os offshores são tão banais como uma tosta mista, e que tal polémica tinha sido criada agora para desviar as atenções do caso dos SMS. O segundo era tornar a trazer à colação o caso Centeno, que o ministro teria mentido, e que tal era de grande gravidade, fazendo deste tema ponte…

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Informação é poder

A Estátua de Sal

(Marco Capitão Ferreira, in Expresso Diário, 01/03/2017)

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E poder é informação. Quem tem um adquire com alguma facilidade mais do outro. Não é por acaso que Ricardo Salgado foi conhecido como o Dono Disto Tudo. Não era porque fosse mesmo o Dono Disto Tudo. Só parecia, e parecia porque tinha tanta informação e poder que nenhum negócio de monta se fazia sem o seu assentimento.

No caso das offshores é também isto que está em causa. Saber que mais 10.000 milhões de euros tinham saído do Pais (o dobro do anteriormente declarado, não propriamente um erro de arredondamento) é importante? É, e foi omitido por Paulo Núncio e Maria Luís Albuquerque, enquanto responsáveis políticos máximos.

Sim, Maria Luís Albuquerque. Se Centeno até sobre as imprudentes idas ao futebol de um Secretário de Estado foi interpelado, estou para saber porque é que neste assunto, convenhamos, levemente mais importante, ninguém ainda conseguiu…

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A sério que o menino não está na Operação Marquês? É que está lá toda a gente!

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 01/03/2017)

Autor                                 Daniel Oliveira

A Operação Marquês começou por ser em torno das relações entre José Sócrates e o grupo Lena. Mas, apesar deste grupo continuar a ser investigado, os números conhecidos deixaram claro que os seus negócios com o Estado até tinham sido menos recorrentes durante o mandato de Sócrates do que no governo anterior. Depois, a investigação passou a ser em torno do empreendimento de Vale do Lobo. Fosse o caso, dir-se-ia que a montanha tinha parido um rato. Dificilmente tal negócio poderia explicar o fluxo de dinheiro que ia de Santos Silva para Sócrates. Agora, chega um negócio a sério e que envolve as golden share do Estado na PT, a própria PT e o BES.

A sensação com que ficamos é que os investigadores sabem, como…

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