A gestação de um golpe – por Céli Pinto

A Viagem dos Argonautas

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Selecção de Júlio Marques Mota

A gestação de um golpe

Céli Pinto

Agradecimentos à autora, Céli Pinto, e a Camilo Joseph.

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Gostaria de refletir aqui sobre dois aspectos que reputo fundamentais para tornar o entendimento do que está acontecendo mais abrangente. A primeira se refere às condições de emergência para a crise que estamos vivenciando, e a segunda refere-se ao momento atual.

Sobre o primeiro, parece-me urgente tomarmos em consideração dois cenários: as manifestações no Brasil a partir de 2013 e a crise generalizada nas experiências progressistas na América Latina.

Em relação ao momento atual, a problemática central é que estamos, na maior parte das vezes, analisando os diversos atores da crise como se estivessem se movendo em um momento pré-golpe, quando o golpe já foi dado. Os golpistas agora estão empenhados em institucionalizá-lo. Mas vamos por partes, como dira aquele conhecido senhor inglês.

De 2013 a 2016, é visível a…

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MUNDO CÃO – O SEGREDO É A ALMA DA TRAPAÇA – por José Goulão

A Viagem dos Argonautas

Mundo Cão

Revela a comunicação social que o Banco Central Europeu proíbe o Ministério português das Finanças de fornecer à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o BANIF as mensagens relacionadas com os escândalos deste banco.

Lendo as coisas como elas devem ser lidas, verifica-se que os deputados eleitos pelos portugueses, e que tentam fazer alguma luz sobre uma monumental burla que vai custar muito pão para a boca a esses mesmos portugueses, estão impedidos de proceder à investigação plena por ordem de um sujeito não eleito emitindo arbitrariedades do seu cadeirão de Frankfurt. Diz o senhor Draghi, aliás solenemente convidado pelo chefe de Estado português para baptizar o Conselho de Estado, que os deputados não podem conhecer o conteúdo das “trocas de ideias” realizadas sobre o assunto. Por que não podem, e não se fala mais nisso.

Lei da rolha, documentos rasurados do Banco de Portugal, manutenção a toda a força de…

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Apoquentações

A Estátua de Sal

(Baptista Bastos, in Correio da Manhã, 20/04/2016)

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O deputado Montenegro, ao que parece figura de relevo no PSD, manifestou acentuada apoquentação com o facto de António Costa ter ido à Grécia visitar um campo de refugiados e, de caminho, conversar com Alexis Tsipras. O encontro durou menos de uma hora; tanto bastou para que o desassossegado Montenegro ficasse agitadíssimo de inquietação. Tsipras e Costa sabem que a União está a dissolver-se com a pressão exercida pelo triunvirato (Comissão Europeia, FMI e Banco Central) que domina países, reduz povos à submissão e impõe princípios imperiais às nações.

O mal-estar é generalizado. Os movimentos anti-austeridade multiplicam-se. A tenaz de uma política de “alternância” sem alternativa atingiu um ponto insuportável. O Partido Popular Europeu, onde se alberga toda a Direita, até às franjas do neonazismo, e ao qual pertence, com alvoroços de entusiasmo, o PSD português, actua alimentado pela arrogância de…

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Pela neta, pela família quadrangular e pelo santo torturador

A Estátua de Sal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 19/04/2016)

Autor                               Daniel Oliveira

Estar cinco horas à frente da televisão a ouvir as declarações de voto dos deputados brasileiros durante a votação da admissibilidade do impeachment à Presidente Dilma Rousseff foi muitíssimo pedagógico. Valeu mais do que muitas leituras e muitas notícias. O retrato que faz da política brasileira em geral e das forças que estão a derrubar o PT em particular é demolidor. Porque é um autorretrato.

Já ontem escrevi aqui sobre o processo. Já escrevi várias vezes sobre aquelas que me parecem ser as razões profundas do legítimo descontentamento do povo brasileiro. Mas nenhuma explicação pode ignorar a grotesca feira de horrores que pôde observar quem se deu ao trabalho de ouvir aquelas intervenções. Elas são a imagem de uma democracia perdida.

Os homens, quase só homens, sucediam-se em frente ao microfone. Tudo era acompanhado por vaias, gritos, cantorias que impedissem que…

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GIRO DO HORIZONTE – «BRASIL» – por Pedro de Pezarat Correia*

A Viagem dos Argonautas

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* Argonauta, militar de Abril, oficial general do Exército Português

 

No Brasil, o golpe vai-se consumando. As pedaladas vão-se juntando e têm um sentido. A situação é confusa e, quando se assiste ao “espetáculo” do escrutínio na Câmara os Deputados, à sequência dos inflamados discursos que justificam o voto envolvidos por grupos de pressão favoráveis a uma das tendências, com as bancadas comportando-se como claques organizadas, apercebemo-nos que é um processo que é muito mais dominado pela emoção do que pela razão. Por isso mesmo facilmente manipulável. A presença central de um presidente Eduardo Cunha, que dirige os trabalhos num cenário de tensão que preparou, ele próprio indiciado em práticas de corrupção e evasão fiscal, é a imagem do golpe premeditado, organizado e em marcha. E o desfile dos deputados, daqueles deputados, justifica algumas perplexidades: será que eles são a real expressão da sociedade brasileira, das favelas e do…

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E apesar de tudo move-se: a “realidade” ameaçada pelas surpresas

A Estátua de Sal

(José Pacheco Pereira, in Público, 16/04/2016)

Autor                 Pacheco Pereira

PSD é o Grande Sacerdote da “realidade” pelo que será sempre o último a perceber. Dizem que o CDS percebeu.


Sim, apesar de tudo, a Terra move-se. Apesar dos “mercados”, apesar do “não há alternativa”, apesar da “realidade”, a nova palavra que a direita usa para qualificar o statu quo quando está no poder ou quer lá chegar. Quando chama Deus para as suas fileiras e chama Deus à “realidade” . Apesar de tudo, move-se. De forma caótica, inesperada, desigual, sem direcção nem sentido, mas, na história que não tem H grande, costuma ser assim. Nada nos garante que se chegue a algum lado, ou que se chegue a um lado melhor, – o mais provável é sempre que se chegue a um lado pior – mas é assim mesmo. Vejam-se várias surpresas que a mudança, ou talvez o Demónio,  faz…

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Tem dinheiro para estar num offshore?

A Estátua de Sal

(Nicolau Santos, in Expresso, 16/04/2016)

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Se os offshores fossem acessíveis a toda a gente, quem é que não gostaria de colocar o seu dinheiro num deles? No mínimo, pagaria bem menos de imposto e comissões que os 28% de taxa liberatória que tem de pagar sobre um depósito a prazo num banco residente ou os 25% que lhe são exigidos quando aplica o seu dinheiro num fundo de investimento. E o bem menos é entre 1% e 5%. Substancial, não? E muito atrativo.

Então porque é que não colocamos todos o nosso dinheiro em offshores? Ah, porque não é toda a gente que pode entrar no clube. Qualquer banco que opera em Portugal trabalha com offshores. Repito: qualquer. Mas a qualquer que se dirija para lhe solicitar a colocação das suas poupanças num offshore vão-lhe exigir no mínimo entre €200 e €250 mil para aceder ao seu pedido. E daqui…

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Impeachment: Quando esta guerra acabar, vão sobrar as baratas

Farrusco

Independentemente do que aconteça, neste domingo (17), com a votação do impeachment de Dilma Rousseff, os dois partidos políticos que foram a maior esperança do país e em torno do qual a democracia brasileira se consolidou nos últimos 20 anos caminharam para uma Destruição Mútua Assegurada.

Segundo essa doutrina militar, conhecida por quem viveu o horror da Guerra Fria, como cada um dos lados (EUA e União Soviética) tinha armamentos nucleares suficientes para destruir o outro e que, uma vez atacado, retaliaria com força igual ou maior, a escalada resultante levaria ao fim de ambos. E talvez do mundo como o conhecíamos.

Esse medo também levou o outro lado a, sabendo disso, evitar ao máximo começar um ataque. Um equilíbrio tenso mas, ainda assim equilíbrio.

O momento em que vivemos é fruto muito mais da escalada de ataques sujos e rasteiros, analógicos e virtuais, das eleições polarizadas de 2014 (e seus desdobramentos)…

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